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*ENTRE A CURVA E A RETA*

Colocou Deus o homem no início da grande jornada - e mostrou-lhe o termo
longínquo a atingir. Dois caminhos que levavam à meta final -
a reta e a curva. A linha reta da inocência - e a linha curva
da culpa e da redenção.

Desprezou o homem a reta - e preferiu a curva, afastando-se de Deus...
Podendo ser suavemente feliz pelo conhecimento da "árvore da vida" - quis
ser amargamente infeliz pelo conhecimento da "árvore do bem e do mal".
Conhecedor da face luminosa da vida - quis conhecer-lhe o tenebroso
reverso, para amar tanto mais a luz depois de conhecer as trevas.

Mas tão grande é o poder de Deus que pode dar ao homem plena
liberdade para abrir ao máximo a grande parábola dos seus
desvarios - na certeza de que acabaria por fechá-la, um dia,
pela compreensão.
Pode a divina potência fazer com que o homem queira livremente
o que nem a força queria. Todas as águas partem do mar - e todas
as águas voltam ao mar...
Quem julgaria possível que as águas que, em estado vaporoso,
sobem do seio do mar, tangidas por todos os setores do
universo, voltassem um dia à sua origem?

Essas torrentes, esses rios, esses arroios, essas pequeninas fontes?
Entre esses dois polos, a ida e a volta, identificados num oceano,
ficam Alpes e Pirineus, Andes e Himalaias, Etnas e Vesúvios,
Chimborazos e Everestes, Saaras e Sibérias; ficam esses milhares
de quilômetros que vão das nascentes aos estuários do Amazonas,
do Nilo, do Mississipi, do Reno, do Danubio, do Ganges, do
São Francisco, do La Plata, de todos os gigantes e pigmeus
do elemento líquido.

Quem fixar os olhos nessas distâncias enormes, nesses obstáculos,
dificilmente crerá numa só água e num só oceano.
E quem conhece a história da humanidade, esse drama multimilenar
de erros e aberrações - como poderia convencer-se da fusão
harmônica de todas as desarmonias?

E, no entanto, exige a majestade de Deus essa harmonia final.
Não pode o Eterno assistir à ruína da sua obra.
Não chamaria o Ser poderoso, sábio e bom, à existência
um mundo de seres, na previsão certa de que ele falharia
o seu verdadeiro destino.

Quando a humanidade tiver percorrido toda essa vasta trajetória
dos seus desvarios, todos os espaços noturnos do erro,
do pecado, da rebeldia, do orgulho, da luxúria, da iniquidade
sob todos os aspectos - então entrará em si e dirá:
"Voltarei à casa de meus pais"...
Voltarei à casa de meu Pai...

E, convencido da impossibilidade duma ego redenção na certeza
de que a torre de Babel do seu orgulho nunca atingirá o céu
das suas saudades - começará o homem a fechar a grande curva
da culpa pela sincera conversão dos seus desvarios...
As próprias sombras do mal são obrigadas a cantar as grandezas
de Deus, no gigantesco painel do Universo...
O felix culpa!
(De Alma Para Alma - Huberto Rohden e imagens do Google)

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